Editorial (Em Português)

Entre Precipícios e Alternativas: Editorial 2° do Boletim em Português.

Na maior cidade do Brasil e uma das maiores do mundo, suposta capital financeira da América Latina, a emergente São Paulo parece um trem desgovernado rumo ao precipício. Talvez, literalmente. Basta tentar andar no transporte público para entender esta imagem. Lotação e sardinha seriam expressões baratas para representar o caos no metrô, na malha viária, enfim, é uma aventura singular andar nos horários de picos em São Paulo, ainda pior: Perigoso. Nesta quarta-feira o acidente na Linha Vermelha, veia importante da ligação entre a populosa Zona Leste e o Centro, é demonstração factual deste pensamento. Imagina se fosse no trem da Linha Amarela – tão moderno que não precisa de motorista? Não existiria uma mão humana para pisar no freio dos erros das máquinas.

A Imagem do Trem desgovernado em São Paulo é própria do momento em que vivemos. Uma cidade que todos correm com sua individualidade extrema, com a ilusão de querer ser um Eike Batista, ou um Thor. Porém, não conseguindo alugar um apartamento de um quarto por menos R$ 600,00. O povo ganha como um mexicano, porém paga como um suíço. Ainda queremos fazer a Copa do Mundo!

A ilusão de emergência está acelerando o passo rumo ao precipício. A crise mundial começa a ser presente no Brasil, e a valorização do câmbio dá pistas disto. A inflação, e a diminuição do ritmo da criação de empregos podem fazer desta queda, algo realmente forte. Isto pode-se ler no texto de Venâncio Guerrero: “Radicais na Grécia, Crise do Real e de Ficções”. Um Brasil, no qual as ficções começam a desaparecer e a realidade do caos e da barbárie brasileira volta com mais força. Mas, há alternativas: Os gregos estão ensinando que é possível dar espaço para os radicais, é na luta que ganhamos.

Porém, ainda vivemos em encruzilhadas históricas, e a questão: “Agora PT?” do texto de Fernando Marcelino é vital no momento que vivemos. Pois, é na superação do trauma da construção do petismo, que podemos construir uma Alternativa Anticapitalista no movimento real da luta de classes. Para isto a esquerda deve ir além na formulação e na luta.

Pois, o precipício está aí. Está nas pequenas coisas, na cultura, por exemplo. Na prisão de um cantor que canta a desigualdade no Brasil, em contraste com a música racista de Alexandre Pires (que tem Neymar como dançarino). Aqui, a barbárie da exclusão é cínica, tem como defensor os mesmos que escraviza.

O combate ao racismo volta à ordem do dia (algum dia saiu?). A luta do povo negro é uma expressão da Alternativa ao precipício. Obvio que as cotas na universidade não resolvem esta questão na essência. Mas é um avanço tático, uma trincheira conquistada, o espaço público do debate se abre e nós entramos com mais lutas. Por isto é importante ler a entrevista de correio da cidadania, com Douglas Belchior do UNEAFRO, ‘Não dá pra esperar o socialismo para garantir que o negro tenha acesso à universidade’

Estamos num momento ímpar. A esquerda deve buscar no debate aberto e na luta de rua os sinais de alternativas como a grega. Aqui, tateamos o roteiro correto para saltar do precipício.

Lutar e Sonhar: Editorial n°1. Boletim semanal em Português. 

Por que lutamos? Se a vida é tão dura, cinza, cheia de opressão, exploração e desigualdade? Sonhamos, sim! Pois, ainda há luta. Lutamos, pois, ainda sorrimos, desejamos e em meio ao caos amamos. Estas lutas nos ensinam os indígenas na América Latina, nos apresentam esperança e novos roteiros para construir Outra Sociedade sem exploração e com liberdade de verdade, como diz o texto de Venâncio Guerrero: “Movimento Indígena, Neodesenvolvimentismo e Lutas na América Latina”.

Para isto devemos polarizar com a Esquerda de Ontem, e de Hoje. Por isto polemizamos e divergimos. Propomos debates. Será que o Brasil ainda precisa de uma Revolução Burguesa? Aqui, enfrentamos o debate com Wladimir Pomar, no texto de Fernando Marcelino: “Forças produtivas e a atualidade do programa democrático-popular no Brasil em debate: a visão de Wladimir Pomar”. Belo Monte, velho desenvolvimentismo, ou ruptura? Aqui a esquerda tenta se aprofundar para pensar nossos sonhos na realidade atual. Ruptura necessária?

Apresentamos ainda debates sobre a Desigualdade em São Paulo e textos em espanhol sobre conjuntura latino-americana. Aqui, queremos instigar o debate para buscar efetivamente arrancar o cinza dos nossos dias.

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