Sobre o IV Congresso do PSOL

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O PSOL apareceu na cena política brasileira em 2005 reivindicando os objetivos que o Partido dos Trabalhadores (PT) abandonou ao longo de sua trajetória histórica. Desde lá tivemos derrotas e vitórias. Crescemos, talvez menos do que gostaríamos. Lutamos, conquistamos alguns espaços importantes e também cometemos deslizes.

O PSOL realiza seu IV Congresso sendo uma referência de esquerda para diversos setores sociais, ganhando musculatura e viabilidade eleitoral. Apesar de suas insuficiências, o PSOL realiza seu IV Congresso como uma referência socialista na maioria das capitais e em várias outras cidades, o que mostra que nosso partido tem se firmado como alternativa real de poder contra as velhas estruturas partidárias comprometidas com a manutenção do modelo de desigualdade que impera em nosso país.

Ao mesmo tempo, o PSOL realiza seu IV Congresso demonstrando ser um partido fraturado, dividido em tendências antagônicas que se recusam a conversar, que sofre muito com o baluartismo (“minha tendência, meu mundo”) e que tem sérias dificuldades de agir como uma unidade. O que deve ser feito agora?

Acredito que o PSOL deve implementar as deliberações do IV Congresso, iniciando pela renovação das direções e práticas partidárias, com a ampliação da presença das mulheres, de forma justa e efetiva, em todas as instâncias. O IV Congresso também aprovou a pré-candidatura de Randolfe Rodrigues para o pleito presidencial de outubro. Devemos começar a construir uma agenda e um programa de governo, envolvendo o partido e envolvendo os setores sociais mais combativos em torno da candidatura a Presidente da República do senador Randolfe Rodrigues.

Para os setores que afirmam que o senador não representa a esquerda, não tem nada a ver com o que a esquerda realmente precisa, que Randolfe não é de esquerda, etc, fica lançado o desafio de iniciar uma consulta com suas bases sociais, seja no partido ou não, ir chão das fábricas, comunidades residenciais, nas associações comunitárias e em outras formas de vivência das camadas trabalhadoras e populares conversar sobre a candidatura do PSOL para presidência ano que vem.

Devemos ser, na prática, um partido viável na disputa entre PT, PSDB e PSB. Isso faz com que, a cada passo dado, aumente nossa responsabilidade em apresentar um programa socialista plural e ousado capaz de avançar na orientação geral das forças sociais brasileiras à esquerda.

Fernando Marcelino

Curitiba, 04 de dezembro

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