Reflexões políticas, combatendo pensamentos dogmáticos.

Por Venâncio Guerrero.

Vários caminhos chegam a Roma, o importante é a pessoa que se dispõe a decifrá-los e interpretá-los. Esta é uma questão essencial contra o dogmatismo no pensamento militante, conversando com um camarada militante mexicano de uma organização trotskista, lhe disse “não somente pelo caminho da teoria trotskista chegamos à revolução” e logo conclui: “Marx sim”, querendo dizer que era obrigatória a leitura de Marx para chegar ao caminho revolucionário.

Também foi um equivoco, não necessitamos forçosamente de ler a nenhum deles, ainda que chegamos a interpretações equivalentes, necessitamos de pensar semelhante e trabalhar por meio de uma abstração e uma metodologia semelhante, pois se eles chegaram às conclusões revolucionárias, nós também podemos chegar, sem eles. Pois somos feitos da mesma matéria de razão e vivemos em contextos históricos semelhantes, a própria história no que toca relações sociais que se reproduzem (ou dos acertos e erros humanos que se repetem) nos estimula a termos abstrações revolucionárias.

Necessitamos de um método que pode ser alimentado por alguma teoria, necessitamos de abstrair ante o fetichismo da mercadoria, que se reproduz na coisificação das relações políticas, sociais e econômicas. Ora bolas, em certo sentido, a ideia de que temos de ler um autor para ir pelo caminho da revolução, é um fetiche do personagem, um fetiche do autor, como se as forças que o moveram a pensar o que pensou está acima de sua razão como humano concreto e sensível, contraditório e passível de erros. O personalismo corta os revolucionários, pois apaixonadamente buscam seguir caminhos traçados pelos Deuses, esquecem que eles são os Deuses deste mundo. É mais fácil santificar os mortos que viver de ideias e instrumentalizar ideias.

Enfim, o caminho do marxismo é importante, pois é uma sistematização e nos poupa tempo e erros teóricos, olhando para os acertos e os erros dos primeiros e por isto os chamamos de clássicos, pois conseguiram acertos teóricos imensos e erros na mesma proporção. Ora, começamos pelo começo, os primeiros dizemos clássicos e os segundos já se fazem não tão necessários, será? Talvez nem tanto os segundos, porém os últimos parecem bem necessários, pois leram e conseguiram mastigar os primeiros, mas este mastigar pode ser estranho.

Não há regra da análise clássica, o importante é se reforçar de boas sistematizações e buscar uma sistematização para o momento concreto, tua e do coletivo particular e geral no qual te inseres. Ora, se o camarada chega a conclusões de Trotsky, que viveu uma revolução e errou nela (no duplo sentido de se equivocar e de caminho errante), porém não se diz trotskista (eu mesmo em certo sentido, mesmo lendo Trotsky), já não podemos chamá-los de camarada? Devemos condená-lo de algum adjetivo estranho e hispotasiado (quando perde seu significado concreto)? 

Septiembre lluvioso en la Ciudad de México ante conversas de bar.

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