O (des)embargo da Liberdade de Expressão

 

*Vinícius Oliveira

Em um feudo ficcional apelidado de Sergipe, em uma província valorada de Brasil, o limite da liberdade de expressão sempre foi a de partilhar interesses. A critica no máximo é reflexo do espelho de compromissos escusos, econômicos  de supra poderes. O tabaréu que ousar agir ou conscientemente escrever merece a pena do embargo. O recado é claro e objetivo, ataca a liberdade de expressão.

Falar em liberdade de expressão em Sergipe e no Brasil sempre se faz necessário um recorte. Pois a liberdade de expressão aqui, sempre foi sinônimo de liberdade de empresas. Empresas que fazem da informação,do jornalismo e da comunicação um negócio de interesse do conservadorismo e da sociedade de consumo. Um bela mercadoria, que de tão plastificada, agrega valor à diversos “produtos” dispersos e desnecessários. Todo um jogo da manutenção do status quo. Dos podres poderes.

Poderes que nascem anti-democráticos. Afinal, quem pode julgar o judiciário? Quem são vocês pra questionarem quanto os filhos e parentes comissionados levam? Que batina vocês vestem para querer protestar em meio à nossos palácios? Que jornalista poderia falar de coronelismo, se a imprensa hegemônica é “coronelizada”?

Pois do lado de cá do feudo, existem aqueles que ousam criticar. A crítica ainda e sempre será nossa ferramenta indispensável. Com nomes, greves, pseudônimos, lutas, paródias ou poemas gritamos que o coronelismo em todos os poderes tem que acabar. Nossos instrumentos de longa data como o jornal “Operário” e posteriormente “Voz do Operário” foram embargados pelos patrões das fábricas e seu Estado. Mas a voz do operariado e da crítica social ainda se mantém.

A ficção de tão real foi ameaçada. Mas seria a realidade que deveria ser questionada, processada, revolucionada. O (des)embargo da liberdade de expressão precisa ser combatido. Fogo versus contra-fogo. Que explodam textos, críticas, cordéis, atos e escrachos. “Contra a idéia da força, a força das idéias!”.

 

* Vinícius Oliveira é estudante de jornalismo e militante do PSOL.

 

**Esse texto é uma tentativa de chamado para a construção do ficcional.

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