The Weatherman: terrorismo e engajamento político.

 Documentário sobre um grupo guerrilheiro dos EUA nos anos 70. Direção: Sam Grenn e Bill Siegel. 2002. MAGNUS OPUS

projeto de resgate do pesamento libertário através das artes

por Romero Venâncio (Departamento de Filosofia- UFS)

Documentário esclarecedor e extraordinário sobre um grupo guerrilheiro americano dos anos 70 vindo do movimento estudantil radicalizado no contexto da guerra do Vietnã. O nome “Weatherman” vem de uma música de Bob Dylan e nos fala da urgência de fazer história e assumir uma causa que traga sentido para a vida muito além do Capital.
A fúria dos “rebeldes com causa”, que eclodiu em razão das medidas do governo americano de então, principalmente as medidas político-bélicas. Simpatizantes, com os Panteras Negras e os seguidores do “guru do ácido” Timothy Leary, os Weathermans entraram para a história da violência revolucionária no seu período mais tenso, os “enlouquecidos dos anos 60-70”.
Merece destaque n o documentário os debates estudantis dos anos 70: uma pauta utópica e corajosa; libertária e inteligente. Havia na luta estudantil uma paixão como nunca visto nos Estados Unidos e esta paixão tornada projeto de vida para além do campo universitário.
É bonito ver os cartazes simples e rebeldes; as palavras de ordem libertárias e generosas para com os oprimidos da história… é lindo ver a provocação nas bocas jovens contra os velhos acomodados: “ho, ho, Ho Chi Min. Luraremos até o fim”. Este era um grito de ordem no “coração do Capital” e em baixo das barbas do FBI… Ver imagens históricas dos Panteras Negras e de sua luta armada e cotidiana… finalmente, ver como o mundo poderia fazer sentido para aqueles que tem uma causa coletiva como horizonte.
Mas merece reflexão a derrota acachapante (é bom sempre ter em mente o que diz S. Zizek: uma causa derrotada não significa que estava errada historicamente): prisões; perseguições de toda ordem; massacre cultural na universidades (o lema do governo americano e do FBI era de que jamais poderia ter estudantes revolucionários nos Campi americanos… vencer os estudantes com bolsas, professores reacionários, expulsões de rebeldes e disciplina quase militar para os estudos e nada de atividades extra-acadêmicas… assim se derrota uma universidade critica ou rebelde!!!)… A “cultura do Capital” derrotou todas as células libertárias marxistas entre a juventude americana dos anos 70 e preparou a dos anos 80 e 90 ( a juventude filha do Neoliberalismo), é bom e interessante ver na prática como se derrota uma luta revolucionária sem usar só a força, mas a cultura cotidiana para tirar a esperança, a coragem e nos fazer covardes, medíocres e passar a ideia de que não há vida para além do capitalismo e de seu individualismo radical… 

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