Sobre entendimentos

Por Venâncio Guerrero.

Pão servido. Ovos. Bacon. Por que não se juntava a mesa, não cozinhara? Por quê? Não seja tolo, não seja tolo! Você pensa em uma informação que jaz há muito tempo no teu pensamento. Não atua assim. Não pensa mais assim. Para você é normal que ela seja como uma coisa qualquer. Esta que você chama corriqueiramente de? Não sabia. Não lhe importava. O importante era comer e depois conversar.

Mas que conversa? Não entendia nada do que lhes diziam. Olhava suas expressões. O menino argumentava, argumentava, a mulher franzia a testa em tom negativo e o requisitava, mas o que ele iria dizer? Não conseguia entender nada, nada. Não entendia sua língua.

A Menina ria. A Mulher com expressão negativa. Requisitavam o Pai. Ele outra vez com expressão neutra. Elas não entendiam? O Pai pensava em língua diferente! Por que o exigiam tanto? Se pronunciasse qualquer palavra, seria uma idiotice, pois eles não entenderiam nada. Porra. Nem esta expressão, não sabia o que significa, mas já sabia expressar.

Insistiam tanto. Entabulavam conversas. Buscavam resumos morais. O Pai nada entendia, portanto, não podia opinar. Na verdade, tinha um recurso para opinar, mas nada opinar realmente: fechava a expressão e impunha sua autoridade natural, às vezes somente uma expressão neutra. Muitas vezes funcionavam, outras não. Enfim, insistiam. Ele se desesperava e saía batendo portas.

Naquele dia, sua família estava especialmente bonita, gesticulavam e gesticulavam. Como ele queria participar daquela conversação! Como daria gosto! Ele já tentara, fazia pose de autoridade e dava lições de como tudo deveria caminhar, para que eles alcançassem a felicidade geral. Ninguém entendia, pois não falavam a mesma língua. Eles não conseguiam entender seus ensinamentos de como mudar para poder mudar o mundo em que viviam. No final todos riam. E, ele ficava bravo e voltava a bater à porta.

Naquele dia, ele só observava. Sua família ainda o requisitava. O Pai com as mesmas artimanhas. Hoje funcionou. Expressões neutras. Autoridade no ar.

A mulher passava a mão na sua mão, quem era ela? Como a chamaria? Qual sua função social especificamente? Sua esposa? Sua empregada? As duas coisas? Para a Mulher restava os ossos do frango. A Mulher sorria com a benevolência do Pai.

Enfim, o Pai queria o bem de sua família. Porém, eles não entendiam que não falavam a mesma língua.

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