Ação policial da cracolândia começa a se estender por São Paulo

Por blog do Paulo Spina. 

 Há praticamente um mês atrás, tivemos um texto (1) no blog sobre a questão das drogas e da cracolândia. O texto começa com um questionamento:

Se uma pessoa traz consigo uma substância que, na pior das hipóteses, causaria algum mal apenas a ela mesma, o que tu responderia???”

Bem, o Estado de São Paulo sabe muito bem como ele responderia. Como foi visto na ação feita na cracolândia, ele responderia com um grande aparato policial reprimindo os usuários, moradores de rua e pobres, e com internação como a principal opção de tratamento – muitas vezes, compulsória.

A ação na cracolândia é considerada, pelo Ministério Público, um “fracasso completo”, motivo pelo qual ele processa o Estado pedindo indenização de mais de R$ 40 milhões. Numa apresentação na USP, representantes do Estado admitiram que a operação apreendeu muito pouca droga, e realizou um enorme número de prisões.

Ou seja, uma operação que não serviu ao tratmento dos que sofrem com a dependência de substâncias químicas, que não serviu para “desmantelar o tráfico”, serve pra que? Seja lá pra que for, o governo do Estado gostou bastante. Tanto, que pretende ampliar. Saiu no jornal O Estado de São Paulo, de 20 de junho (2) último, que a “operação Cracolândia será estendida para a Roberto Marinho e o Glicério”. Nessa mesma reportagem, outra representante do Estado de São Paulo afirma que a PM permanecerá na região da Rua Helvétia por meses e até anos.

Mais uma vez, vemos o Estado servindo a interesses de uma minoria. Na mesa semana que nossos vizinhos uruguaios começam a debater oficialmente a legalização da maconha, o governo de São Paulo declara que a lógica manicomial e repressiva é a que vai se manter por aqui, no que depender deles.

Por isso, como no Dia da Luta Antimanicomial e na Marcha da Maconha, precisamos nos organizar e enfrentar essa política! Precisamos de uma abordagem social e não policial ao usuário de drogas e de um tratamento qualificado e fora da antiga e repressiva lógica de manicomial, onde a internação e o isolamento do doente em relação à sociedade são as melhores soluções. Não podemos e não vamos deixar que a política da Cracolândia seja a política para as drogas na cidade de São Paulo.

 
 
Anúncios