A direita parte para a ofensiva

Por Fernando Marcelino

A direita brasileira, representada hoje principalmente pela grande mídia e pelo demo-tucanato, está agonizando. Com isso, está partindo para a ofensiva.

Essa direita, que agora tenta parecer inocente e neutra, é a mesma que apoio a ditadura, o mandato de cinco anos de Sarney, fez de tudo para sabotar Lula a favor de Collor e achou normal a compra de votos de FHC para sua reeleição e a quebradeira da indústria nacional durante os anos de domínio neoliberal. Agora, essa direita que vive sem projeto e agonizante busca esconder suas responsabilidades históricas. Querem esconder sua especialidade de acabar com tudo que é público além de suas negociatas promovidas pela privatização das estatais, o sucateamento da infra-estrutura e a desarticulação quase total da indústria.

Durante a década de 1990, quando estava no governo federal, essa direita afirmava reiteradas vezes que a privatização era o caminho a ser seguido para aumentar a competitividade das empresas brasileiras e possuir dinheiro para investimentos em educação, saúde e habitação. Depois de entregar a preço de banana o patrimônio público, usou o dinheiro no pagamento de juros e corrupção escancarada. Sem empresas como Vale do Rio Doce, Embratel, Telebras, diversos bancos públicos e sem os investimentos sociais, a direita fez o Brasil caminhar para o buraco. Não fosse a resistência popular, teriam privatizado o Banco do Brasil, a Caixa Econômica, os Correios e implantado a Alca.

A partir de 2003, o governo Lula começou a delinear outro caminho, que não teve como tarefa liquidar o capitalismo e erigir o socialismo. Nas condições em que foi eleito, suas principais tarefas domésticas consistiram em utilizar as forças capitalistas predominantes no país para desenvolver a indústria, a agricultura e os serviços, reconstruir a infra-estrutura de energia, transportes e comunicações e a infra-estrutura urbana, estimular a criação de novos empregos, criar mecanismos de redistribuição de renda e de democratização da propriedade agrária, dar maior musculatura ao mercado interno brasileiro e ampliar os direitos democráticos.

É claro que ainda não ocorreu uma reversão completa do caminho trilhado pelos governos neoliberais, por mais que algumas mudanças importantes tenham ocorrido. Por exemplo, passamos da estagnação para o crescimento econômico. Saímos da privatização dos ativos das empresas públicas para a consolidação das empresas estatais, que sobraram da privataria neoliberal, e para as parcerias público-privadas, com concessões ao setor privado. O desmantelamento do planejamento estatal foi deixado de lado e há um processo, ainda não consolidado, de retomada do planejamento macroeconômico e macro-social.

A burguesia brasileira vive uma crise política que a dividiu e permitiu que socialistas chegassem ao governo (não ao poder). A estratégia se “acúmulo de forças”pela via institucional parece não ser suficiente para tomar o poder e implementar as reformas estruturantes necessária. Infelizmente, a “governabilidade” desejada pelo governo ainda impede qualquer questionamento sério da forma como essa ordem pós-neoliberal é cúmplice dos agentes que ela condena, inclusive da direita. Como no início do governo Lula, não se procurou escancarar o tamanho do buraco herdado e seus devidos culpados, agora é preciso correr atrás do prejuízo. Mas como?

Durante o primeiro ano do governo Dilma, a direita utilizou uma nova estratégia, buscando impor uma paralisia na máquina governamental através de ataques a ministros e altos funcionários com foco na corrupção. Agora sua aposta é buscar novas polarizações em torno da capacidade do Brasil enfrentar os efeitos da crise internacional, abrindo espaço pela grande mídia para retomar a iniciativa e a ofensiva política contra o governo. Diante destas políticas hipócritas, a direita está ficando sem saída. Se ficar o bicho pega, se correr o bicho come. A direita no Brasil agoniza, está na UTI da história. A esquerda, entretanto, não pode ficar esperando a morte natural dessas bolas de ferro. É preciso desligar a máquina que ainda a mantém viva, preparar a ofensiva antes que ela cometa mais insanidades.

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