Sarau do Binho: Cultura em São Paulo é burocrática e Anti-democrática.

Por Paulo Spina e Venâncio Guerrero.

A Cultura em São Paulo é privatizada (1), elitista, antidemocrática e vista como caso de polícia (2). Os moradores da periferia há anos constataram isto, e vem (auto)organizando-se para superar esta situação precária. Como não dá para esperar do Estado este direito, eles o fazem na prática. Uma destas belíssimas iniciativas é a prática de saraus da periferia, que misturam boa música, teatro, literatura, cinema, arte em geral, tanto da arte que vem dos consagrados quanto à arte dos artistas populares não consagrados (ainda).

É a síntese entre a mais fina democracia e a qualidade artística: Todos fazem e reproduzem a experiência sensível e estética da vida. Como os espaços públicos de cultura são escassos, estas experiências dependem da boa vontade de valorosos militantes que cedem seus espaços, como bares, entre outros.

 

E a Prefeitura? Sente-se envergonhada e apóia estas iniciativas com estrutura, financiamento, oportunizando espaços coletivos como faz com a Cultura Inglesa (onde cedeu o Parque da Independência, e ainda impediu de todos verem a Banda)? Erra quem tenta espera coerência e sensatez por parte da Autoridade Estatal.

A Prefeitura reprime todas as iniciativas que visam estimular a produção cultural democrática e de qualidade. Não bastasse a tentativa inadequada e frustrada de impedir o Bloco do Saci de sair à rua no Carnaval (3), ela começa a perseguir os saraus da periferia. O Sarau do Binho, histórico e tradicional da Zona Sul, foi fechado, pois o bar – onde era realizada a festa democrática e popular – não era “adequado” e não tinha autorização para funcionar.

Aqui, vemos novamente a Prefeitura atuar para reprimir. Houve muitas tentativas para regularizar o bar, sendo sempre dificultada pela burocracia da prefeitura. Alega-se que o lugar é inadequado e gera “poluição sonora”. O morador de São Paulo sabe bem sobre poluição sonora, que está longe da festa democrática dos saraus.

Por que é tão fácil aos especuladores imobiliários, conseguir licenças para construir super prédios, acabando com qualquer respiro urbanístico da cidade e causando transtorno a vizinhança (quem já foi acordado pela britadeira da construção ao lado?), e tão difícil dar licença para quem promove Direitos?

Pois, é o poder econômico quem dita às regras da Prefeitura do Kassab – aliado do futuro candidato José Serra (PSDB). A lei só funciona para reprimir o povo: aqui, é um simples bar que promovia cultura gratuita para a comunidade, sendo massacrado pela burocracia sem sentido de um governo elitista.

Os movimentos populares em São Paulo não aceitam que a prefeitura negue seus direitos. Há uma mobilização pela defesa do Sarau do Binho. Por enquanto, o Sarau segue fora de seu lugar habitual, abaixo segue dados do local e horário da resistência cultural da perifa.  


(http://blogdopaulospina.blogspot.com.br/2012/05/cultura-privatizada-i-virada-cultural.html e http://blogdopaulospina.blogspot.com.br/2012/05/cultura-privatizada-ii-pra-que.html

(2) http://blogdopaulospina.blogspot.com.br/2012/05/confusao-no-show-de-franz-ferdinand.html)

(3) O Bloco do Saci é organizado anualmente pelo ECLA (Espaço Cultural Latino-americano) e sai nos carnavais com letras que propõem debate e reflexões críticas. No último carnaval a Prefeitura ensaiou negar a licença para o Bloco sair no carnaval. Porém depois da mobilização popular e de um abaixo-assinado, o Poder Público recuou, e o Bloco saiu, levando às ruas a alegria e a discussão sobre democratização de meios de comunicação.

 Fonte: http://blogdopaulospina.blogspot.com.br/2012/06/sarau-do-binho-cultura-em-sao-paulo-e.html


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