Luta antimanicomial: Quem tá louco?

Viver em São Paulo é muito difícil. Alugar casa? Não podemos. Temos nome sujo. Não conseguimos pagar. Comprar? Não podemos. Também não temos dinheiro. Quando conseguimos é bem longe. Ir para o trabalho? Difícil empreitada. É ônibus lotado, que não respeita ninguém, ou corre muito, ou vai devagar para lotar ainda mais. Chegando no trabalho, é aquela correria, muita coisa para fazer. No final, ficamos além do tempo. Horas extras se avolumam. Chegamos em casa e dormimos. Outro dia acordamos e é a mesma rotina.

O que sentimos? Muito stress, ansiedade, pressão! No final de semana, ficamos tristes, pois a noite é curta, e o domingo é o tédio. Não tem nada para fazer, pois moramos longe e ir para o centro é caro, e pagar pela cultura também é caro. No final ficamos depressivos.

Sofremos? Não. Vão dizer que não sofremos. Que devemos ser forte e lutar. Sim. Sofremos sim. É um mal que domina nossa cabeça. O Stress e Depressão, imposto pelo caos de São Paulo, é um sofrimento mental. Somos loucos? Temos medo da loucura. Mas, quem está louco é o sistema que nos impõe pressão e pressão.

Tem muita gente que não agüenta. Que fazemos com eles? Jogamos em Manicômio, escondemos o medo da nossa própria loucura. Mas, e nós? Também sofremos como eles. Não podemos escondê-los. Devemos trazê-los para perto, queremos ajudá-los, sendo que nós também sofremos. Devemos curar esta São Paulo!

É diante desta realidade, que muitos lutadores desde 1987, constataram que é uma Loucura prender pessoas por que sofrem e não aguentam a pressão de um Sistema Doente. Eles têm direito a estarem livres, a terem tratamento com a família. Isolamento social de pessoas que tem sua Saúde Mental comprometida é aumentar a violência que eles sofrem e nós também, assim negar o direito de estarem com a família, com a sociedade.

Por isto, hoje, 18 de maio, nós lutamos contra os manicômios, pois é o Dia Nacional da Luta Antimanicomial, um movimento social que defende direitos humanos no acesso aos serviços de saúde mental e uma nova concepção do processo saúde-doença. É entender a necessidade de um Sistema de Saúde Público de Qualidade, para ajudar àqueles que sofreram com este Sistema Louco. Não devemos temê-los, pois eles refletem um pouco do que sentimos. Pois, ao prendê-los tornamos esta sociedade mais irresponsável e louca. É na luta por serviços públicos de qualidade, pela liberdade das pessoas que tem comprometidas, que damos um passo na Cura da Nossa Sociedade. Aqui é só um passo, porém importante.

Pelo fim da tortura daqueles que já sofrem com a tortura cotidiana de nossa sociedade louca!

Loucura não se prende, Saúde não se vende! Quem tá doente é o sistema social!

Fonte: http://blogdopaulospina.blogspot.com.br/

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