Todo apoio à categoria dos trabalhadores estaduais da saúde de São Paulo que escolheram lutar!

Por Paulo Spina e Maria Aparecida dos Santos 

“Na primeira noite eles se aproximam e roubam uma flor do nosso jardim.E não dizemos nada. Na segunda noite, já não se escondem: pisam as flores,matam nosso cão,e não dizemos nada.Até que um dia,o mais frágil deles entra sozinho em nossa casa,rouba-nos a luz, e,conhecendo nosso medo, arranca-nos a voz da garganta. E já não podemos dizer nada”.  Eduardo Alves da Costa (3)  

A greve da saúde estadual já passou do décimo dia. Momento tenso e importante de uma categoria que é muita lutadora! Tão lutadora que na greve trabalha muito mais: faz mobilização, fica fora do serviço com a escala mínima, faz assembléias, atos, uma grande manifestação na Avenida Paulista, panfletagens. Mas atende sim pacientes e não faz isso por medo, mas por ter clareza de não querer prejudicar a população.

Aí vai se formando o dilema. Em uma greve, por exemplo, em uma fábrica de carros, o trabalhador interrompe a produção e o prejuízo é do patrão, o que o força a negociar. No serviço público e mais especificamente o da saúde esta lógica não serve. Na greve o prejuízo não é do “patrão”, no caso o governador Alckmin, e sim da população. Podemos imaginar que prejudicando o acesso da população aos serviços isso prejudicaria o governador. Teoricamente sim, se fosse um governo comprometido e que se importasse com a população que utiliza o serviço. Mas não! Este governo não esta nem aí para quem não será atendido, despreza a população como igualmente faz com o trabalhador.

Então a tática do governo, aliás copiada do Serra que agora quer ser prefeito, é fingir que a greve não existe. Deixar o trabalhador falando sozinho, ou melhor, não falando nada. Mas isso a categoria já deixou claro que não vai acontecer!

Sabe por que? Porque a situação é absurda. É uma das categorias que mais sofreu nos últimos anos: sem aumento há mais de 10 anos, com um salário base muito abaixo do salário mínimo, perda de direitos como aumento da carga horária, perda do adicional por insalubridade, ticket alimentação vergonhoso e ainda por cima entrega de serviços, do nosso SUS que tanto lutamos, para entidades privadas que estão fazendo lucro à custa de sofrimento dos usuários.

Durante todo este tempo a categoria, através do Sindsaúde, foi muito responsável. Primeiro há muito tempo se dispondo a negociar. Mas pouco se avança, pelo contrário, são muitos retrocessos. Depois fizeram manifestações para avisar que não estavam contentes. O terceiro momento foi avisar com bastante antecedência que a situação estava insuportável e que seria realizada a greve. E nada do governo! Chegou à greve da categoria com participação, indignação, mas tentando não prejudicar muito a população do Estado de São Paulo. E o que o governo faz? Desconsidera o movimento, mente para a população através da mídia dando a entender que nos deu aumento de 40% quando na verdade isso não aconteceu. Solta boatos de corte de pontos para desmobilizar os trabalhadores.

Durante todo este tempo a categoria, através do Sindsaúde, foi muito responsável. Primeiro há muito tempo se dispondo a negociar. Mas pouco se avança, pelo contrário, são muitos retrocessos. Depois fizeram manifestações para avisar que não estavam contentes. O terceiro momento foi avisar com bastante antecedência que a situação estava insuportável e que seria realizada a greve. E nada do governo! Chegou à greve da categoria com participação, indignação, mas tentando não prejudicar muito a população do Estado de São Paulo. E o que o governo faz? Desconsidera o movimento, mente para a população através da mídia dando a entender que nos deu aumento de 40% quando na verdade isso não aconteceu. Solta boatos de corte de pontos para desmobilizar os trabalhadores.

Mas o que fazer para o governo entender que a paciência desta categoria acabou?

Na verdade o governo quer jogar a população contra os trabalhadores da saúde, o que seria a maior das injustiças e que vamos lutar contra isso. E, queremos deixar claro, o governo tem obrigação de apresentar uma proposta. Caso não, será inteiramente o responsável pelas consequências, pois está claro que os trabalhadores não deixaram que sua voz seja levada e já escolheram lutar por mais do que todas as reivindicações, por dignidade!

Todo apoio a greve da saúde estadual

(1) Paulo Spina é Trabalhador e delegado sindical de base do Sindsaúde no CAISM Água Funda, militante do PSOL e do Fórum Popular de Saúde

(2) Maria Aparecida dos Santos é Diretora Regional do SindSaúde Baixada Santista, militante do PSOL e do Fórum Popular de Saúde

(3) Fragmento de um poema de Eduardo Alves da Costa chamado “No caminho com Maiakóvski”

Fonte: http://blogdopaulospina.blogspot.com.br/2012/04/todo-apoio-categoria-dos-trabalhadores.html#more

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